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Chelsea, começo dos anos 1870. O pintor pagava dois irmãos, filhos de um barqueiro do Tâmisa, para levá-lo rio adentro depois que escurecia.
O pai dos dois tinha remado pelo mesmo trecho de água com outro pintor de rio a bordo, décadas antes.
O método não era pintar dentro do barco. Ele olhava a margem, virava de costas e descrevia a cena em voz alta para os remadores, corrigindo a descrição até acertar cada mancha de luz.
No dia seguinte, no ateliê, punha a cena na madeira de memória. Quando a memória falhava, voltava ao rio na noite seguinte e recomeçava do zero.
A tinta era preparada líquida, cortada com terebintina até escorrer. Ele chamava a mistura de molho e trabalhava com o painel deitado, para o escuro não correr até a borda.
O nome dos quadros veio de fora. Um armador de Liverpool que colecionava as telas dele e tocava piano sugeriu trocar luar por noturno, e o termo entrou no vocabulário do ateliê em 1872.
O jardim de Cremorne ficava em Chelsea, a uma caminhada curta de casa. Doze acres de alamedas, plataforma de dança, orquestra, subida de balão e, no fim da noite, fogos de artifício.
Em 1877 o jardim perdeu a licença e fechou as portas para sempre. No mesmo ano, a pintura dos fogos foi parar na parede de uma galeria recém-inaugurada.
A Grosvenor Gallery abriu em maio de 1877, em New Bond Street, como alternativa ao circuito oficial de Londres. O pintor mandou oito obras, quatro delas noturnos.
Em 2 de julho, John Ruskin, professor de arte em Oxford e crítico com público cativo, publicou a carta setenta e nove do panfleto Fors Clavigera.
A frase sobre o pote de tinta estava ali, no meio de um texto que elogiava outro artista da mesma exposição. Ruskin não escreveu sobre a técnica: escreveu sobre o preço.
A ação foi aberta ainda em 1877 e levou um ano para chegar ao tribunal. O pedido era de mil libras mais as custas.
A sessão durou dois dias, 25 e 26 de novembro de 1878, sob o comando do barão Huddleston, na divisão do Exchequer.
Do lado do crítico depuseram Edward Burne-Jones, William Powell Frith e Tom Taylor. O primeiro disse que a tela era um esboço sem acabamento; o segundo, que não era uma obra de arte séria.
A defesa levou para a sala um retrato atribuído a Ticiano, como régua do que seria uma pintura terminada.
Do lado do autor depuseram o pintor Albert Moore e o crítico William Michael Rossetti, os dois sustentando que a superfície estava pronta.
Então o procurador-geral John Holker perguntou quanto tempo tinha levado o quadro dos fogos. A resposta foi um dia de trabalho, com alguns retoques no dia seguinte.
Holker insistiu no ponto: o senhor pede duzentos guinéus pelo trabalho de dois dias?
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Não. Eu cobro pelo conhecimento de uma vida inteira.
James McNeill Whistler, A Gentil Arte de Fazer Inimigos, 1890
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O júri deu ganho de causa ao pintor e fixou a indenização em um farthing, a menor moeda em circulação, um quarto de pêni.
O juiz completou a conta: cada lado pagaria as próprias custas. A vitória saiu mais cara que a derrota.
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