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Óleo sobre tela, sessenta e dois centímetros de altura por noventa e três de largura. O formato é deitado, largo, mais perto da proporção de uma janela do que de um retrato.
A cena inteira cabe num quarto pequeno de telhado inclinado. O teto desce à direita, e a parede da esquerda é ocupada por uma janela aberta de caixilho fino.
Um rapaz está deitado numa cama estreita encostada sob a janela. O corpo ficou atravessado na diagonal, com os pés perto do canto direito e a cabeça caída para trás, do lado esquerdo.
A camisa branca está aberta no peito. É a área mais clara do quadro, e a luz que entra pela janela cai exatamente ali, no tecido e na pele descoberta.
A calça é de um violeta forte, quase ameixa. Ao lado dela, a meia branca e o sapato preto fecham o único trecho da tela em que a cor sobe de tom.
O braço direito escorregou para fora do colchão. A mão pendura no ar com os dedos entreabertos, sem apoio nenhum, a poucos centímetros do assoalho.
Logo abaixo dessa mão há um frasco de vidro pequeno, deitado de lado, com a rolha fora. Ele está pintado em primeiro plano, na parte inferior da tela, na altura do olho de quem chega perto.
O chão em volta está coberto de papel. Não são folhas inteiras: são tiras estreitas, rasgadas à mão, espalhadas junto ao pé da cama e junto ao baú aberto no canto.
O cabelo é ruivo escuro e cai para trás. O rosto está de perfil três quartos, boca entreaberta, sem tensão nenhuma nos traços.
Sobre uma mesinha ao lado da cabeceira há um castiçal com o toco de uma vela apagada. Um fio fino de fumaça sobe dali e some antes de chegar ao teto.
Essa fumaça é o relógio do quadro. Ela informa que a chama se apagou há pouco, e transforma a cena inteira num intervalo de minutos, não de horas.
Pela janela aberta entra a luz do começo da manhã. O céu está num azul frio, com uma faixa rosada baixa, e a cidade aparece como uma linha de telhados e chaminés.
No meio dessa linha, ao longe, uma cúpula redonda se destaca contra o céu. É a única forma reconhecível da paisagem, e ela ocupa o vão superior esquerdo da tela.
No parapeito, num vaso, há uma plantinha com folhas verdes vivas. É a coisa mais saudável da pintura, e está do lado de fora da cena, no limite entre o quarto e o ar.
A pose tem uma referência clara: braço estendido, corpo abandonado na diagonal, luz concentrada no torso. É o desenho que a pintura religiosa usava para o corpo baixado da cruz, aplicado a um rapaz de calça roxa num sótão alugado.
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Sem defeito e admirável: examine bem, polegada por polegada, e guarde na memória.
John Ruskin, Notas da Academia, 1856
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