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Óleo sobre tela, cerca de sessenta e quatro centímetros de altura por oitenta de largura, em formato horizontal.
A linha do horizonte corta a tela alto, a mais ou menos um quarto do topo. Acima dela fica o céu. Abaixo, a terra.
O céu é amarelo puxado para o verde, pintado em pinceladas curtas que se abrem em leque a partir de um ponto só.
Esse ponto é o sol. Um disco de amarelo pálido, quase branco no miolo, apoiado logo acima do horizonte e deslocado para a esquerda do centro.
O contorno é fechado, como o de uma moeda, e a mancha ocupa mais espaço na tela do que a cabeça e o tronco do semeador somados.
Entre o céu e a terra corre uma faixa estreita de trigo maduro em pé, ocre com laranja, as hastes marcadas uma a uma em traços verticais.
No horizonte à esquerda aparece uma casa pequena, de paredes claras e telhado laranja, com arbustos escuros ao lado e uma planta fina que sobe mais alto que o telhado.
À direita, na mesma linha, há uma fileira baixa de moitas em azul e violeta.
Todo o resto, cerca de três quartos da tela, é campo arado, pintado em pinceladas curtas e grossas, encostadas umas nas outras, em azul, violeta, rosa e laranja, sem um único trecho de cor lisa.
A tinta está empastada. Os torrões têm relevo de verdade, e a luz que chega neles projeta sombra na própria superfície do quadro.
Os sulcos do arado seguem em diagonal, da borda de baixo para o meio da tela, e empurram o olho na direção da figura.
O semeador aparece de corpo inteiro, de perfil, avançando para a esquerda do quadro com as pernas abertas em passo longo.
Ele usa chapéu de palha, blusão claro puxado para o verde oliva e calça azul, com botas escuras riscadas de laranja.
O braço da frente desce aberto, a mão espalmada na altura do quadril, no fim do gesto de espalhar a semente.
O outro braço segura contra a barriga o saco de semente, um volume claro preso na dobra do cotovelo.
O rosto não tem feição. São dois riscos escuros sob a aba do chapéu, e o queixo se resolve numa mancha só.
O sol está atrás dele e mesmo assim o corpo não vira silhueta preta: o chapéu, o ombro e a mão ficam claros contra o campo escuro.
Na terra, à esquerda, dois pássaros pousados aparecem em duas pinceladas escuras, do tamanho de uma unha.
No canto de baixo à esquerda a tinta muda de assunto e vira restolho seco, em amarelo pálido e verde acinzentado.
Nenhuma linha preta fecha o contorno das formas. O corpo se separa da terra pela cor, não pelo desenho.
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Grande campo de torrões de terra lavrada, na maior parte francamente violeta. Campo de trigo maduro num tom de ocre amarelo com um pouco de carmim. O céu amarelo de cromo, quase tão claro quanto o próprio sol.
Vincent van Gogh, carta a Émile Bernard, Arles, por volta de 19 de junho de 1888
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