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Teodora nasceu por volta de 497. O pai, Acácio, cuidava dos ursos da facção Verde no Hipódromo de Constantinopla (o estádio das corridas de biga). Quando ele morreu, a mãe levou as filhas pequenas à arena para pedir proteção. Os Verdes recusaram; a facção rival, os Azuis, acolheu a família.
Quase tudo que se sabe da juventude dela vem de uma fonte só: a História Secreta, de Procópio de Cesareia, escrita por volta de 550 e só publicada séculos mais tarde. Procópio era secretário de Belisário e detestava a imperatriz. Ele a descreve como atriz e prostituta, com detalhes que os historiadores leem com cautela.
Justiniano a conheceu quando ainda era sobrinho e herdeiro do imperador Justino. A lei proibia homens de posição senatorial de casar com atrizes. Justino mudou a lei por volta de 524, o casamento saiu logo em seguida e, em 527, os dois subiram juntos ao trono.
A frase da revolta
Em janeiro de 532, a revolta de Nika (do grego “vence”, o grito das torcidas no Hipódromo) incendiou boa parte de Constantinopla. Justiniano tinha navios prontos para fugir. Segundo Procópio, Teodora se levantou no conselho e recusou a fuga.
“A realeza é uma boa mortalha”, escreve Procópio, pondo a frase na boca dela, na História das Guerras, livro I, publicada por volta de 551. Mortalha é o pano que envolve o corpo no enterro: ela preferia acabar no trono a viver exilada. Justiniano ficou, e Belisário esmagou a revolta dentro do próprio Hipódromo.
Quem pagou a igreja
San Vitale foi começada pelo bispo Eclésio por volta de 526, quando Ravena ainda era a capital dos ostrogodos, o povo germânico que governava a Itália. O dinheiro veio de Juliano Argentário (argentarius, em latim, quer dizer banqueiro).
O cronista Agnelo de Ravena, no Liber Pontificalis (Livro dos Bispos), do século IX, anotou o custo da obra: 26 mil sólidos de ouro. A construção terminou sob o bispo Maximiano, homem de confiança de Justiniano, e os retratos imperiais são dessa fase final, com a cidade já bizantina.
Um ano de mosaico
Teodora morreu em 28 de junho de 548, em Constantinopla, cerca de um ano após a consagração da igreja. O bispo e cronista Vítor de Tununa registrou a causa: um câncer que tomou o corpo inteiro. Ela não viu o painel, nem por desenho, segundo tudo que os documentos guardam.
Justiniano governou sem ela até 565 e não se casou outra vez.
O mosaico sobreviveu à imperatriz e também às guerras que vieram. Ravena passou aos lombardos em 751, depois ao papado e a Veneza, e nenhum dos novos donos arrancou o casal imperial da abside.
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