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O sarcófago de Roma saiu da terra em 1881, na necrópole da Banditaccia, o grande cemitério de Cerveteri, onde os túmulos foram cavados na rocha e cobertos por montes de terra redondos.
Ele estava partido em cerca de 400 fragmentos, segundo o registro do Museu Nacional Etrusco de Villa Giulia, que o recebeu e o remontou. Mede cerca de 1,14 metro de altura por 1,90 de comprimento.
O gêmeo do Louvre, o da imagem desta edição, tem história diferente. O marquês Giampietro Campana, colecionador e diretor do monte de penhores de Roma, escavou em Cerveteri na década de 1840 e achou um segundo casal quase idêntico, também quebrado.
Campana foi preso em 1857 por desviar dinheiro do banco para pagar a coleção. O governo do papa leiloou as peças, e Napoleão III comprou boa fatia delas em 1861. O sarcófago entrou no Louvre e está lá desde então.
A oficina de Cerveteri
Os dois sarcófagos saíram provavelmente da mesma oficina, com o mesmo molde para os rostos e mãos refeitas à mão em cada cópia. A argila foi cortada ao meio antes do forno, porque nenhum forno da época cabia uma peça daquele tamanho inteira.
O estilo mostra de onde vinha o ofício. Artesãos da Jônia, a costa grega da atual Turquia, fugiram para a Itália depois da conquista persa, no século 6 antes de Cristo, e trouxeram o sorriso, os olhos e as tranças.
O escândalo dos gregos
O banquete etrusco com esposas chegou aos gregos como fofoca. Teopompo de Quios, historiador do século 4 antes de Cristo, escreveu sobre ele num trecho que sobreviveu porque Ateneu de Náucratis o copiou no Banquete dos Sábios, por volta do ano 200 da nossa era.
“Entre os etruscos, as mulheres são comuns a todos; elas cuidam muito do corpo, se exercitam nuas com os homens e se deitam à mesa não ao lado dos próprios maridos, mas de quem estiver presente”, escreveu Teopompo, na tradução do livro 12 de Ateneu.
O exagero é dele. Teopompo nunca esteve na Etrúria que se saiba, e escrevia para leitores gregos que achavam a liberdade das etruscas um sinal de baixa moral. O sarcófago mostra outra cena: a mulher se deita, sim, mas ao lado do próprio marido.
O nome próprio delas
Os túmulos de Cerveteri e de Tarquínia trazem inscrições com o primeiro nome das mulheres: Larthia, Ramtha, Thanchvil. Em Roma, a filha recebia só o sobrenome do pai no feminino, e duas irmãs se chamavam Júlia as duas.
O historiador romano Tito Lívio, no livro 1 da História de Roma, conta que a etrusca Tanaquil, mulher do rei Tarquínio Prisco, lia o voo das águias e decidiu quem herdaria o trono. Para Lívio, uma esposa assim era coisa da Etrúria.
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