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Óleo sobre tela, cento e sessenta centímetros de altura por cento e vinte e oito de largura, segundo a ficha do Isabella Stewart Gardner Museum. Um retângulo em pé, formato de retrato aplicado a uma cena de naufrágio.
O barco corta a tela na diagonal. A proa sobe para o alto à esquerda, quase encostando na borda superior, e a popa afunda no canto direito de baixo, onde a água já lambe a madeira.
A vela grande está rasgada na parte de cima. Um marinheiro pendurado no cordame tenta segurar o pano solto com as duas mãos, o corpo inteiro suspenso no ar, os pés fora do convés.
Uma onda branca bate de frente contra o casco e sobe em espuma até a altura dos joelhos dos homens de pé. A espuma é a área mais clara do quadro inteiro, um bloco de tinta quase branca no meio do escuro.
O céu se divide em duas metades desiguais. À esquerda, sobre a proa, o pintor abriu uma faixa de luz dourada; o resto é nuvem marrom e preta, tão escura que a linha do horizonte quase desaparece.
Catorze homens dividem o convés. Quatro lutam com as cordas e o leme, um vomita debaixo da amurada com o corpo dobrado sobre a borda, e o resto se agrupa na popa, onde um deles sacode um homem sentado.
O homem sentado na popa está calmo, de manto claro, com o rosto sereno no meio do amontoado de braços. É o único corpo que não se contorce, e ele ocupa a parte mais escura da tela.
Um dos tripulantes agarra uma corda com a mão direita e, com a esquerda, segura o próprio chapéu para o vento não levar. O rosto dele está virado para fora do quadro, olhando quem estiver de pé na frente da moldura.
Esse rosto é o único do grupo que enxerga o visitante. A tradição de museu identifica o personagem como o próprio pintor, embarcado na cena que assinou, e o Gardner registra essa leitura na ficha da obra.
Na madeira do leme, junto ao braço de um marinheiro, aparece a assinatura em letras claras com a data de 1633. Rembrandt tinha vinte e sete anos e havia se mudado de Leiden para Amsterdã pouco antes.
A pincelada muda de textura conforme a distância. A espuma e as roupas molhadas têm tinta grossa, empastada, com marca de espátula; os rostos do fundo saem em manchas rápidas, sem contorno.
Nada na cena tem o brilho polido que o gosto da época pedia numa peça de altar. A água é marrom, o pano é sujo, as cordas estão desfiadas, e o barco é um barco de pesca comum.
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Rembrandt assinou uma só marinha em cinquenta anos de trabalho, e é esta.
Isabella Stewart Gardner Museum, ficha da obra roubada
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