|
Rapa Nui é um pedaço de terra de 163 quilômetros quadrados, a mais de 3.500 quilômetros da costa do Chile. Os polinésios chegaram lá em canoas, por volta do ano 1200, e por séculos não tiveram contato com nenhum outro povo.
As estátuas eram retratos de ancestrais. Ficavam de pé sobre plataformas de pedra chamadas ahu, quase sempre de costas para o mar e de frente para as aldeias que protegiam.
O que os europeus encontraram
O navegador holandês Jacob Roggeveen chegou à ilha no domingo de Páscoa de 1722, e dele vem o nome europeu do lugar. Ele viu estátuas de pé.
Ao longo do século 19, as estátuas foram derrubadas uma a uma, nas guerras entre clãs da ilha. Paro, a maior delas, foi uma das últimas a cair.
No mesmo século, navios negreiros do Peru levaram em 1862 centenas de ilhéus para o trabalho forçado, e as doenças trazidas na volta dos poucos sobreviventes reduziram a população a pouco mais de cem pessoas. O Chile anexou a ilha em 1888.
Uma escultura sem fim
Uma estátua inacabada guarda o que uma pronta esconde: o método. Em El Gigante dá para ver a ordem dos cortes, a largura das valas e o ponto exato em que o trabalho parou.
Os moai de pé na costa mostram o resultado, polido e com olhos de coral. Alguns ganharam ainda o pukao (chapéu de pedra vermelha, cortado em outra cratera da ilha).
O acabamento apaga as marcas do machado. A pedreira mostra o processo, e é por ela que os arqueólogos reconstruíram como os rapanui transformavam um vulcão em gente de pedra.
A UNESCO inscreveu o Parque Nacional Rapa Nui como Patrimônio Mundial em 1995, e Rano Raraku está dentro dele. Os moai, feitos entre os séculos 13 e 17, pertencem ao povo rapanui e a ninguém mais, sem direito autoral de artista sobre a imagem.
Duas leituras do gigante
Para a primeira leitura, El Gigante é um erro de cálculo: uma ambição que passou do limite da técnica e foi largada no meio. Para a segunda, ele é uma figura feita para ficar na montanha, deitada na pedra de onde saíram todas as outras.
Os dois lados olham para a mesma quilha intacta sob as costas da estátua. Um projeto grande demais para sair do lugar, ou uma figura que nasceu para morar na pedreira: as duas leituras estão na encosta de Rano Raraku.
|