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A imagem do email mostra uma das placas internas do Caldeirão de Gundestrup, feito por ourives anônimos da Idade do Ferro e hoje no Museu Nacional da Dinamarca: em relevo na prata, uma figura sentada de pernas cruzadas e chifres de veado, cercada de cervos, felinos e uma serpente com cabeça de carneiro.
Cada placa traz figuras em relevo, saltadas para fora do fundo liso. Rostos grandes, de frente, ocupam o centro de várias delas, com os braços erguidos dos dois lados.
A técnica do relevo
O nome técnico do método é repuxado (o metal martelado pelo avesso até a figura saltar na face da frente). O ourives batia a folha de prata deitada sobre uma base macia, como breu ou chumbo, e depois afinava os contornos pela frente com punções.
Algumas partes recebiam uma camada fina de ouro. Na foto, esse dourado aparece em manchas mais quentes sobre o cinza da prata, em cabelos, em colares e em detalhes das roupas.
Os olhos das figuras maiores eram ocos. Os arqueólogos acreditam que eles levavam vidro colorido encaixado, perdido antes do depósito no pântano.
Quem aparece nas placas
As placas de fora mostram bustos enormes, de homens barbados e de mulheres com tranças, segurando nas mãos figuras pequenas de animais ou de pessoas.
Por dentro, as cenas são maiores e cheias de movimento. Numa delas, uma figura de chifres de veado na cabeça senta de pernas cruzadas, com um torques (o colar rígido e aberto que os povos celtas usavam como sinal de posição) numa das mãos e uma serpente na outra.
Em outra placa, uma fila de guerreiros a pé, com lanças e escudos, marcha em direção a uma figura gigante. Ela segura um homem de cabeça para baixo sobre um recipiente, como quem vai mergulhá-lo.
Acima dessa fila, cavaleiros com capacetes seguem na direção contrária. Três homens tocam o carnyx, uma trombeta de guerra comprida, com a boca em forma de cabeça de javali.
O fundo da tigela
O disco do fundo tem uma cena só. Um touro grande, deitado, ocupa quase todo o círculo, e uma mulher com espada salta sobre o dorso dele.
Cães cercam o animal, e um lagarto aparece por perto. A cena não tem explicação escrita, e quem a interpreta como sacrifício ou como caçada segue no terreno do palpite.
Um bestiário estranho
Os animais das placas misturam a fauna do norte com bichos que nenhum dinamarquês da época tinha visto. Há veados, javalis, lobos e cães, mas também leões, grifos e, numa das placas internas, dois elefantes.
Esses elefantes dizem muito sobre a origem da peça, e a próxima seção conta por quê.
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