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A folha que vai no email é uma pintura de Nainsukh feita entre 1745 e 1750, hoje no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, que a liberou em acesso aberto. O título do museu é Visão de Krishna e Radha do rajá Balwant Singh.
A cena se divide em três partes, os três vãos de um mesmo pavilhão aberto. À esquerda ficam os músicos e as cantoras, no centro uma mulher sentada toca um instrumento de cordas. À direita, dentro do pavilhão, está Balwant Singh, sentado num trono.
Toldos laranja, de tecido, correm por cima dos três vãos do pavilhão. Acima deles, o céu é de noite, com lua cheia e nuvens riscadas de raio.
Quem está dentro e quem está fora
O arranjo da página separa os músicos do príncipe com colunas. O príncipe está dentro do pavilhão: fica sentado no vão da direita, sob o mesmo toldo, na posição de quem assiste.
O título dado à pintura chama a cena de visão. O que o príncipe vê não acontece na sala dele, mas numa espécie de aparição, que o pintor desenha com a mesma clareza de um cômodo de verdade.
Nainsukh não põe Balwant Singh no centro da folha. O vão do meio fica com a cantora sentada no tapete, e o príncipe ocupa o vão da direita, num trono com almofadas. O patrão que pagava o pintor aparece como ouvinte, sentado à vontade com o narguilé.
A técnica das montanhas
A pintura é do estilo que os historiadores chamam de pahari (das montanhas, em hindi), praticado nos pequenos reinos do pé do Himalaia nos séculos XVII a XIX.
Os pintores pahari trabalhavam com pigmento de terra e de mineral moído, misturado com cola, aplicado em várias camadas sobre papel. O ouro em pó entrava nos detalhes de joia e de tecido.
A oficina de Guler, onde Nainsukh aprendeu, tinha contato com a pintura da corte mogol, a dinastia muçulmana que governava o norte da Índia a partir de Délhi. Dela vinham o traço fino, a atenção ao rosto e o gosto pela observação direta.
Nainsukh levou esse olhar para a corte de um príncipe pequeno. Na folha do Met, a parede, o toldo e as figuras estão dispostos em planos limpos, sem excesso de ornamento, e o fundo deixa espaço vazio em volta das pessoas.
Uma folha de devoção
Entre os retratos íntimos de Balwant Singh, esta folha é das que o mostram ouvindo música. O príncipe aparece aqui como em outras folhas: fumando narguilé e ouvindo os músicos, numa noite de lua.
O culto a Krishna era forte nas cortes das montanhas no século XVIII. Mesmo assim, esta folha registra a rotina do patrão, não uma cena de culto: a noite de música no pavilhão, com a mesma atenção que a série dá ao dia comum.
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