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Óleo sobre tela, oitenta e três centímetros de altura por cento e onze de largura. Formato deitado, largo, na proporção que a pintura da época reservava para cenas de batalha e episódios históricos.
O terreno ocupa quase tudo. A linha do horizonte foi empurrada para bem perto da borda de cima, e sobra uma faixa fina de céu claro no topo da tela.
O resultado é um chão enorme. Quem olha não tem para onde subir os olhos: a paisagem prende o olhar rente ao solo, na mesma altura em que estão as mãos das mulheres.
Em primeiro plano há três figuras femininas. Estão espalhadas da esquerda para a direita, próximas entre si, e nenhuma delas mostra o rosto inteiro para quem olha.
As duas da esquerda estão dobradas na cintura, quase em ângulo reto. As costas formam um arco contínuo que vai do ombro ao quadril, e as duas repetem quase a mesma curva com pequena diferença de altura.
A da direita está meio erguida, com a mão apoiada nas costas. É a única que interrompe o movimento, e a pose dela sugere a dor de quem passou horas na mesma posição.
A roupa marca cada uma com uma cor. A touca da primeira é azul, a da segunda é vermelha, e a terceira aparece num amarelo desbotado, com o avental preso na frente do corpo.
São cores primárias, chapadas, colocadas em pontos afastados da tela. Elas puxam o olhar em zigue-zague pelo primeiro plano e impedem que as três figuras virem uma massa escura só.
As mãos são a parte mais trabalhada da pintura. Aparecem grandes, largas, com os dedos abertos rente ao restolho, e uma delas segura um punhado curto de espigas contra a saia.
O que elas recolhem cabe na palma. Não são feixes: são talos avulsos, o que escapou da foice e ficou perdido no meio da palha cortada.
A luz é de fim de tarde. Vem baixa, quase de lado, e cai nos ombros e nas nucas curvadas, deixando o rosto de todas na sombra.
O fundo é o oposto exato do primeiro plano. Lá atrás há montes de feno altos, uma carroça carregada, medas empilhadas e uma fila de trabalhadores movimentados no meio da colheita farta.
Entre esse fundo e as três mulheres existe uma distância grande de campo vazio. A abundância está lá; elas estão aqui, e o vão pintado entre as duas coisas é a frase inteira do quadro.
À direita, contra a linha do horizonte, há uma figura pequena montada a cavalo. É o encarregado da propriedade, minúsculo na tela, parado onde consegue ver o campo inteiro.
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Suas três respigadoras têm pretensões gigantescas: posam como as três Parcas do pauperismo.
Paul de Saint-Victor, Salão de 1857, La Presse
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