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Idia viveu na virada do século 15 para o 16. Era uma das esposas do oba Ozolua e mãe de Esigie. Quando Ozolua saiu de cena, por volta de 1504, os dois filhos dele disputaram o trono: Esigie, em Benin City, e o irmão Arhuaran, na cidade de Udo.
A guerra entre os irmãos terminou com a vitória de Esigie. A tradição oral da corte, recolhida no século 20 pelo historiador nigeriano Jacob Egharevba no livro A Short History of Benin, de 1934, dá a Idia um papel nessa vitória: conselho político e magia de proteção para o filho.
A guerra de Idah
Poucos anos depois, por volta de 1515, o reino de Igala atacou o Benin pelo norte, a partir da cidade de Idah. Segundo a mesma tradição oral, Idia levantou e comandou um exército próprio e foi ao campo de batalha com o filho.
O Benin venceu. Em agradecimento, Esigie criou para a mãe o título de iyoba, que nenhuma mulher tivera antes, e mandou construir para ela um palácio próprio em Uselu, fora dos muros da capital. A rainha-mãe passou a ter corte, servos e conselheiros.
O título veio com uma regra. A iyoba não podia mais ver o filho rei em pessoa. A tradição explica a proibição como proteção ao trono: a mãe já tinha poder demais, e a distância evitava que governasse por cima dele.
Por que o rei a usava
As máscaras de Idia foram entalhadas para essa distância. Não há documento escrito da época sobre a encomenda. O que se sabe vem da tradição da corte e do uso que os obas fizeram das peças até 1897.
Os reis do Benin as vestiam em cerimônias de purificação do reino, como a Emobo, celebrada para afastar os maus espíritos do palácio. A mãe que não podia estar ao lado do filho seguia presa ao quadril dele, e a força que ela teve na guerra protegia o rei no ritual.
Fevereiro de 1897
Em janeiro de 1897, uma comitiva britânica liderada pelo cônsul James Phillips seguia para Benin City sem autorização do oba Ovonramwen, durante um festival sagrado. Guerreiros do Benin atacaram a comitiva, e quase todos os britânicos morreram.
A resposta veio em semanas. A expedição punitiva, comandada pelo almirante Harry Rawson, entrou na capital em 18 de fevereiro de 1897. Ovonramwen fugiu, foi capturado e mandado para o exílio em Calabar, onde viveu até 1914.
As duas máscaras de Idia ficaram com Ralph Moor, cônsul-geral britânico do Protetorado da Costa do Níger. A de Londres passou ao antropólogo Charles Seligman, que a vendeu ao Museu Britânico em 1910. A outra também ficou com Seligman e, pela viúva dele, chegou ao colecionador Nelson Rockefeller na década de 1950 e entrou no Metropolitan em 1972, por doação dele.
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