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Óleo sobre tela, duzentos e sessenta e oito centímetros de altura por trezentos e quarenta e sete de largura, em formato horizontal.
A cena é noturna. O céu ocupa boa parte da metade de cima, uma massa escura fechada, sem lua e sem estrela.
No meio do quadro, apoiado no chão de terra, está um lampião grande de formato quase cúbico, com painéis de vidro e armação escura.
Esse lampião é a única fonte de luz da tela. Toda a claridade da cena sai dali, na altura do joelho, e se espalha na diagonal para a esquerda.
À direita da luz está o pelotão. Os soldados aparecem de costas, em fila compacta, e nenhum rosto é visível desse lado do quadro.
O que se vê deles é repetição: mochilas de couro, quepes altos, sabres na cintura e pernas afastadas na mesma posição.
Os fuzis formam uma linha quase horizontal, com as baionetas caladas, e as bocas dos canos estão a poucos passos dos corpos que apontam.
Do outro lado, ajoelhado sobre o barranco, um homem de camisa branca e calça amarela abre os dois braços na altura dos ombros.
A camisa é a área mais clara do quadro inteiro, pintada com massa espessa de tinta.
O rosto está inteiramente iluminado, com os olhos arregalados e a boca aberta, virado para a linha de fuzis.
A palma da mão direita, aberta na direção de quem olha, traz uma marca escura no meio, do tamanho de uma moeda.
Atrás dele esperam os outros. Um cobre o rosto com as duas mãos, outro fecha os punhos na altura da boca, e um frade de tonsura ajoelha com as mãos juntas.
Mais ao fundo, subindo o barranco, uma massa de figuras cada vez menos definidas mostra que a fila continua no escuro.
No primeiro plano, à esquerda, estão os corpos já caídos. Um deles repete o gesto de braços abertos do homem de camisa branca, com o rosto contra a terra.
O chão em volta desses corpos está manchado de vermelho, num barranco pelado, sem grama e sem cerca.
Ao fundo, recortado contra o céu preto, aparece um edifício grande com torre, a silhueta da cidade que não acordou.
A paleta é curta: terra, cinza, preto e marrom. As exceções são a camisa branca, a calça amarela e o vermelho do chão.
A pincelada é rápida e fina, e em vários trechos a preparação da tela aparece por baixo.
A luz vem de baixo, do nível do chão. Nenhum raio desce do alto sobre a cena.
Quem olha o quadro está de pé no mesmo barranco, mais perto das costas dos soldados do que do homem de camisa branca.
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O Três de Maio é a primeira grande pintura que pode ser chamada de revolucionária em todos os sentidos da palavra: no estilo, no assunto e na intenção.
Kenneth Clark, Looking at Pictures, livro de crítica de arte, 1960
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