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Óleo sobre tela, um metro e um centímetro de altura por um metro e vinte e sete de largura, em formato horizontal.
A cena se passa num quarto fechado. Não há janela, porta, relógio nem vela acesa: nada que informe a hora, o país ou o ano.
O fundo é escuro, entre o marrom e o vermelho, com uma cortina pesada de veludo correndo por trás de tudo e uma abertura no meio do tecido.
Contra esse fundo há uma cama baixa, mais parecida com um divã, com lençol amarrotado e cobertas quentes.
Sobre ela está uma mulher deitada de costas, com o tronco atravessado no colchão, a cabeça caída para fora da borda e os dois braços pendurados, um deles com os dedos quase no chão.
O pescoço está estendido para trás, a boca entreaberta e os olhos fechados. O cabelo louro escorre solto na direção do piso.
Ela veste uma camisola branca comprida, de tecido fino. É a área mais clara do quadro, e a luz bate ali como se viesse de lugar nenhum.
Sobre o peito dela está sentada uma criatura pequena, agachada, de costas curvadas, joelhos dobrados e orelhas pontudas.
O bicho tem a cor do quarto: pardo, quase sem contorno próprio, grudado na sombra atrás dele. Não segura, não arranha e não puxa nada.
A ação inteira dele é o peso: senta e permanece ali, com uma das mãos levantada perto do rosto.
E vira a cabeça para fora do quadro. Dos três, é o único que olha para quem está olhando.
Pela abertura da cortina, no fundo, entra a cabeça de um cavalo escuro. Vem só a cabeça e um pedaço de pescoço: o corpo não aparece em canto nenhum, e o resto some no escuro atrás do pano.
As narinas estão abertas, as orelhas em ponta e os olhos não têm pupila: são duas bolas brancas, leitosas, sem direção.
Num canto do primeiro plano há uma mesinha redonda de madeira. Em cima dela, um livro, um frasco de vidro, dois potes com tampa e a borda de um espelho.
Os objetos estão tortos, largados como no fim de qualquer noite, e nenhum deles está sendo usado.
A paleta é quente e curta: vermelho de cortina, marrom de sombra e ocre de pele. O branco da camisola e o dos olhos do cavalo são as duas notas frias.
A pincelada muda conforme o assunto. A pele e o tecido têm acabamento liso e fechado; o fundo, a cortina e a crina do animal ficaram soltos, quase esfumaçados.
A composição é simétrica pelo corpo deitado: a criatura ocupa o centro da tela, em cima do eixo da figura.
Ninguém na cena olha para ninguém: ela dorme, o cavalo tem olho sem foco e o bicho encara quem chegou.
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Procura alguma donzela perdida de amor, vencida pelo sono; pousa e, rindo, senta sobre o peito dela.
Erasmus Darwin, O Jardim Botânico, poema, 1789
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