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O imperador por trás do exército nasceu em 259 a.C. como Ying Zheng e subiu ao trono do reino de Qin aos 13 anos. Em 221 a.C., depois de vencer os seis reinos rivais, declarou-se Shi Huangdi, “primeiro augusto imperador”.
Unificou a escrita, os pesos, as medidas e a largura dos eixos das carroças. A mesma lógica de padrão chegou à sua tumba, começada quando ele ainda era rei menino e tocada por décadas.
O historiador Sima Qian, que escreveu cerca de um século depois, descreve o interior do túmulo nos Registros do Historiador (Shiji), de cerca de 94 a.C.: “com mercúrio fizeram os cem rios, o Yangtzé, o Rio Amarelo e o grande mar”. O mesmo texto não traz uma palavra sobre o exército de barro.
A linha de montagem
Nas oficinas, o trabalho era dividido. Uma equipe modelava pernas maciças. Outra subia o tronco em rolos de argila, sobrepostos como cordas enroladas, e alisava a superfície por dentro e por fora.
As cabeças começavam em moldes de duas metades, frente e nuca, unidas por uma emenda que ainda aparece atrás das orelhas de algumas figuras. Dessa base saía um rosto genérico, liso, sem expressão.
Depois de montada, a figura secava devagar à sombra e ia ao forno inteira, a temperaturas altas o bastante para endurecer o barro sem deformar o corpo oco.
O acabamento à mão
Sobre a cabeça lisa, o artesão aplicava argila nova. Modelava sobrancelhas, pálpebras, lábios, bigode e barba; colava orelhas; riscava fios de cabelo com uma ponta fina, um por um.
O resultado são rostos diferentes entre si, mesmo quando nascem do mesmo molde. Os arqueólogos agrupam as caras por traços comuns, mas não acharam dois soldados idênticos na cova 1.
Ninguém sabe se cada rosto copiava um soldado real. Os documentos de Qin não dizem, e a semelhança entre grupos de caras sugere tipos, não retratos. O que se sabe é que nenhum artesão repetiu o vizinho.
Os mestres assinavam
Em muitas figuras há carimbos ou inscrições com a assinatura do mestre de oficina, às vezes junto à palavra gong (oficina do palácio) ou à cidade de onde vinha a olaria.
O arqueólogo Yuan Zhongyi, que dirigiu as escavações por décadas, identificou nessas marcas dezenas de mestres diferentes, uns ligados às oficinas imperiais, outros a olarias de cidades da região.
A assinatura servia ao controle. O Lüshi Chunqiu (Primaveras e Outonos do senhor Lü), compilado por volta de 239 a.C. na corte de Qin, manda gravar na peça a assinatura do artesão para apurar a qualidade e punir quem errou.
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