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Na imagem, a Dama de Elche aparece de frente, do peito para cima, sobre fundo escuro. A pedra tem cor de areia clara, um bege puxado para o ocre, com sombras mais escuras nas dobras do manto e entre as joias.
O rosto é estreito e sereno. O nariz desce reto da testa, a boca é fechada e os lábios são finos. O olhar vai para a frente, um pouco abaixo da linha de quem a observa, sem sorriso e sem tristeza à vista.
As rodas e a tiara
O que primeiro chama a atenção são os dois discos grandes, um de cada lado do rosto, na altura das orelhas. Parecem rodas grossas, cada uma com um aro externo largo e um centro saliente.
Os arqueólogos chamam essas peças de rodetes (rodinhas, em espanhol). A leitura mais aceita diz que eram suportes de metal ou de couro presos ao cabelo, por onde a mulher enrolava as tranças.
Na testa, logo acima das sobrancelhas, corre uma faixa de contas pequenas, como uma tiara. Por cima dela, um tecido cobre a cabeça e desce atrás dos discos, emoldurando o rosto como um capuz.
Dos lados das rodas pendem fios de contas que descem até a altura do queixo, numa cascata curta. O escultor gravou cada conta separada, com o mesmo cuidado dado ao rosto.
Três colares no peito
Sobre o peito, a Dama usa três colares, um abaixo do outro. O mais alto é curto e justo. Os dois de baixo descem mais e carregam pingentes alongados, parecidos com pequenas ânforas (jarros de duas alças usados para vinho e azeite).
Por cima de tudo vem o manto. Ele cai dos ombros em dobras grossas, abertas no meio, e deixa os colares à mostra. Na imagem, as dobras do lado direito da peça ficam mais iluminadas que as do lado esquerdo.
O que a foto de frente esconde
O buraco das costas não aparece na imagem. A cavidade tem 18 centímetros de diâmetro e 16 de profundidade, segundo a ficha do Museu Arqueológico Nacional de Madri, onde a peça está exposta.
Também não aparece a pintura. A pedra hoje é quase toda bege, mas a mesma ficha registra restos de vermelho nos lábios e no manto. Na origem, a Dama era colorida, com joias, roupa e boca pintadas.
Os olhos têm as órbitas fundas, cavadas na pedra. Estudiosos supõem um enchimento de pasta ou de vidro colorido, perdido antes da descoberta. Nenhum resto desse material foi encontrado, e a hipótese segue sem prova.
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