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O Códice Mendoza tem três partes. A primeira, aberta pela folha da águia, lista os governantes de Tenochtitlan e as cidades que cada um venceu. A segunda copia o registro de tributos: o que cada província entregava à capital em mantas de algodão, trajes de guerreiro, penas, cacau e jade.
A terceira mostra a vida de um mexica do nascimento à velhice. Há o batismo do bebê, a escola dos meninos, o casamento com os mantos dos noivos amarrados e até a comida das crianças medida em tortilhas por idade.
As duas primeiras partes vêm de documentos mais antigos, pintados antes da chegada dos espanhóis, em 1519. A lista de tributos se parece muito com a Matrícula de Tributos, outro códice hoje guardado na Biblioteca Nacional de Antropologia e História, na Cidade do México. A terceira parte parece feita sob medida para o leitor europeu.
A pressa do intérprete
Na última folha escrita, o intérprete espanhol deixou uma nota de próprio punho. Conta que recebeu o livro dez dias antes de a frota partir, que os pintores demoraram a concordar sobre o sentido das figuras e que, sem tempo, não pôde polir a tradução.
A nota explica a letra apressada das glosas, com riscos e palavras emendadas. Explica também por que algumas legendas discordam do glifo ao lado: o tradutor anotava o que os escribas lhe diziam, sem chance de conferir.
Quem pintou não assinou. Os pesquisadores falam num mestre pintor nahua, talvez com ajudantes, e num intérprete que alguns estudiosos identificam como o padre Juan González, conhecedor do náuatle. Nenhum documento confirma a atribuição, e o livro segue sem autor declarado.
Por que Mendoza
O vice-rei não aparece assinando folha alguma. O título Códice Mendoza foi dado mais tarde, por estudiosos, porque a encomenda combina com o período em que Antonio de Mendoza governou a Nova Espanha, de 1535 a 1550. A data de 1541 sai do mesmo cruzamento, e há quem a empurre alguns anos para a frente.
O navio que não chegou
A frota saiu de Veracruz rumo à Espanha. No caminho, um dos navios caiu nas mãos de corsários franceses, que tinham licença do próprio rei da França para atacar barcos espanhóis. A data exata da captura não ficou registrada no livro, e nenhum papel achado até hoje a fixa.
O ponto de chegada, sim, ficou anotado. André Thevet, frade franciscano que dois anos mais tarde viajaria ao Brasil com a colônia francesa da baía de Guanabara, escreveu o próprio nome em várias folhas do códice e acrescentou o ano de 1553.
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