In partnership with

Arte do Dia   Arte do Dia
ED 177
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

O livro asteca que um francês assinou em 1553

Escribas nahuas, Códice Mendoza, c. 1541, Biblioteca Bodleiana, Oxford

Folha 2 do Códice Mendoza: águia sobre um nopal no centro de um quadrado azul, cercada por dez fundadores sentados

Códice Mendoza, folha 2, c. 1541

▼

Um caderno de papel europeu de cerca de 33 por 23 centímetros, com 71 folhas pintadas a pincel. Ele prova que, vinte anos depois da queda de Tenochtitlan, ainda havia na Cidade do México quem soubesse escrever em glifos (sinais desenhados que valem por palavras e nomes).

O caderno é o Códice Mendoza, pintado por escribas nahuas por volta de 1541. Nahua é o povo que fala náuatle, a língua dos astecas, e esses escribas eram chamados tlacuiloque (pintores que escrevem). Eles fizeram as páginas no modo antigo, com figuras de contorno preto e cores chapadas. Ao lado de cada figura, outra mão escreveu em espanhol o que ela queria dizer.

Quem encomendou o livro foi, muito provavelmente, Antonio de Mendoza, primeiro vice-rei da Nova Espanha, e o destino era o imperador Carlos V, em Castela. O vice-rei queria mostrar ao monarca como funcionava o império recém-tomado: quem governou, quanto cada província pagava de tributo e como uma criança mexica era criada.

O livro nunca chegou ao imperador. O navio que o levava pelo Atlântico foi tomado por corsários franceses, e o caderno desembarcou na França. Em 1553 ele estava nas mãos de André Thevet, cosmógrafo (estudioso que descreve e mapeia o mundo) do rei Henrique II, que escreveu a própria assinatura nas folhas.

Hoje o códice está na Biblioteca Bodleiana, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, catalogado como MS. Arch. Selden. A. 1. Chegou lá passando por quatro donos, e a edição percorre a rota inteira.

Antes da viagem, porém, vem a página. A folha que abre a parte histórica, pintada com a fundação da capital asteca, é a imagem desta edição, e ela se lê como um mapa.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Your SOC 2, handled end to end with AI agents.

Enterprise buyers won’t put your product near their customer data without a SOC 2 report. Twenty-one state privacy laws now hold them accountable for the vendors they share data with, so their diligence lands on you.

Sprinto gets you audit ready in 14 days, across three working sessions. AI agents connect your stack, collect the evidence auditors ask for, and close the gaps as they appear. You approve, they execute.

Sprinto also answers the security questionnaires your buyers send, using the same evidence base, so security reviews stop holding up deals.

No compliance hire. No consultant. Your auditor signs off.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Que Você Vê

Uma águia no centro da cidade

A folha 2 do Códice Mendoza abre com um quadrado azul cortado por duas faixas em X. O azul é a água do lago de Texcoco, onde os mexicas (o povo asteca da capital) fundaram Tenochtitlan, e as faixas dividem a cidade em quatro bairros.

No centro do X, sobre uma pedra, cresce um nopal (cacto de palmas achatadas) com frutos vermelhos. Em cima dele pousa uma águia de asas abertas. Aqui a águia não segura serpente no bico: a cobra entrou na cena em versões posteriores.

Logo abaixo da pedra aparece um escudo redondo atravessado por flechas, o sinal mexica de guerra. À direita do nopal fica um tzompantli (estante de madeira onde se expunham crânios), com um crânio espetado na trave.

Os dez fundadores

Ao redor da águia, sentados sobre esteiras de junco, estão dez homens de manto branco. Cada um tem um pequeno desenho ligado à cabeça por uma linha fina: o glifo que diz quem ele é. Perto de quase todos, a tinta mais fina da glosa espanhola repete o nome em letras latinas.

O homem sentado à esquerda da águia, com uma voluta (espiral que sai da boca e indica fala) diante dos lábios, é Tenoch, o líder que dá nome à cidade. O glifo dele é uma pedra com um nopal em cima, a mesma figura do centro da página em tamanho pequeno.

A borda dos anos

A moldura da folha é uma fileira de quadradinhos azuis, cada um com um sinal e uma contagem de pontos. Cada quadradinho é um ano do calendário mexica, contado da fundação, em 1325, até o fim do governo de Tenoch. A glosa soma 51 anos.

Num dos quadradinhos aparece um feixe de juncos amarrados. Ele marca o fechamento de um ciclo de 52 anos, quando os mexicas apagavam todos os fogos e acendiam uma chama nova.

Duas vitórias no rodapé

Na faixa de baixo, dois guerreiros mexicas, de escudo na mão, dominam dois inimigos menores. Ao lado de cada cena há um templo de teto tombado soltando fumaça, o sinal de cidade conquistada. Os glifos e a glosa dizem quais: Colhuacan e Tenayuca.

Tudo na folha ganha um rótulo em espanhol, em letra miúda e marrom. A pintura conta; a glosa explica. É nessa dupla escrita que mora o motivo de o livro existir.

 
 

II  A História Por Trás

Dez dias para traduzir um império

O Códice Mendoza tem três partes. A primeira, aberta pela folha da águia, lista os governantes de Tenochtitlan e as cidades que cada um venceu. A segunda copia o registro de tributos: o que cada província entregava à capital em mantas de algodão, trajes de guerreiro, penas, cacau e jade.

A terceira mostra a vida de um mexica do nascimento à velhice. Há o batismo do bebê, a escola dos meninos, o casamento com os mantos dos noivos amarrados e até a comida das crianças medida em tortilhas por idade.

As duas primeiras partes vêm de documentos mais antigos, pintados antes da chegada dos espanhóis, em 1519. A lista de tributos se parece muito com a Matrícula de Tributos, outro códice hoje guardado na Biblioteca Nacional de Antropologia e História, na Cidade do México. A terceira parte parece feita sob medida para o leitor europeu.

A pressa do intérprete

Na última folha escrita, o intérprete espanhol deixou uma nota de próprio punho. Conta que recebeu o livro dez dias antes de a frota partir, que os pintores demoraram a concordar sobre o sentido das figuras e que, sem tempo, não pôde polir a tradução.

A nota explica a letra apressada das glosas, com riscos e palavras emendadas. Explica também por que algumas legendas discordam do glifo ao lado: o tradutor anotava o que os escribas lhe diziam, sem chance de conferir.

Quem pintou não assinou. Os pesquisadores falam num mestre pintor nahua, talvez com ajudantes, e num intérprete que alguns estudiosos identificam como o padre Juan González, conhecedor do náuatle. Nenhum documento confirma a atribuição, e o livro segue sem autor declarado.

Por que Mendoza

O vice-rei não aparece assinando folha alguma. O título Códice Mendoza foi dado mais tarde, por estudiosos, porque a encomenda combina com o período em que Antonio de Mendoza governou a Nova Espanha, de 1535 a 1550. A data de 1541 sai do mesmo cruzamento, e há quem a empurre alguns anos para a frente.

O navio que não chegou

A frota saiu de Veracruz rumo à Espanha. No caminho, um dos navios caiu nas mãos de corsários franceses, que tinham licença do próprio rei da França para atacar barcos espanhóis. A data exata da captura não ficou registrada no livro, e nenhum papel achado até hoje a fixa.

O ponto de chegada, sim, ficou anotado. André Thevet, frade franciscano que dois anos mais tarde viajaria ao Brasil com a colônia francesa da baía de Guanabara, escreveu o próprio nome em várias folhas do códice e acrescentou o ano de 1553.

 

Quem banca a edição de hoje

Some teams never seem to stop moving. They're on Attio, the agentic CRM.

It’s your always-on revenue engine: agents and workflows build pipeline, chase every buying signal, and move deals forward alongside your team.

Teams like Parallel, Turbopuffer, and Wordsmith build on Attio. Are you one of them?

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Por Que Importa

Do navio francês à estante de Oxford

Thevet guardou o códice por cerca de três décadas. Segundo o relato do clérigo inglês Samuel Purchas, publicado em 1625, o cosmógrafo vendeu o livro em Paris a Richard Hakluyt, capelão da embaixada inglesa e colecionador de relatos de viagem, por 20 coroas francesas.

Hakluyt deixou o códice para Purchas, que o reproduziu na coletânea Purchas His Pilgrimes (Purchas, seus peregrinos), de 1625. As páginas saíram em gravuras de madeira, e a Europa viu pela primeira vez figuras de um livro mexica impressas. Depois o volume foi do jurista John Selden, cuja coleção entrou na Biblioteca Bodleiana em 1659.

A chave de leitura

A glosa espanhola transformou o códice numa espécie de dicionário. Como cada glifo de lugar traz o nome escrito ao lado, os estudiosos aprenderam a ler nomes de cidades em outros documentos nahuas que não têm tradução nenhuma.

Em 1992, as antropólogas Frances Berdan e Patricia Rieff Anawalt publicaram pela University of California Press uma edição em quatro volumes, com fac-símile e transcrição folha a folha. É a base de quase todo estudo atual sobre o tributo mexica.

A águia que virou bandeira

A cena da folha 2 sobreviveu ao livro. O brasão do México, adotado em versões diferentes desde a independência, em 1821, repete a águia sobre o nopal, em cima da pedra cercada de água. A versão oficial ganhou a serpente no bico, ausente na pintura de 1541.

O que o livro não diz

Mesmo traduzido, o códice guarda silêncios. A glosa é a leitura de um espanhol apressado, que ouviu escribas em desacordo. A pintura é a versão mexica do próprio passado, escolhida para um rei estrangeiro. Nenhuma das camadas é neutra.

Hoje a Bodleiana mantém o códice digitalizado e aberto a qualquer leitor no portal Digital Bodleian, folha por folha, com as glosas legíveis em alta resolução.

Diante da folha da águia, a escolha de leitura fica com quem olha: confiar na glosa espanhola, que dá nome a cada figura mas foi escrita em dez dias por um tradutor apressado, ou ler só os glifos, mais fiéis aos escribas nahuas e bem mais difíceis de decifrar sem ajuda. As duas camadas estão na mesma página.

 
 
Os Símbolos Escondidos nas Obras-Primas. Oito camadas, uma por dia, no ebook e no app. Quero o ebook + app.

Quero o ebook + app →

 
Quiz da edição

Segundo o texto, quem escreveu o próprio nome nas folhas do Códice Mendoza, em 1553?

AAntonio de Mendoza, vice-rei da Nova Espanha
BAndré Thevet, cosmógrafo do rei Henrique II
CCarlos V, imperador de Castela
DRichard Hakluyt, capelão da embaixada inglesa

Resultado da última edição: 80% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🖼️🖼️🖼️🖼️🖼️  ótima 🖼️🖼️🖼️🖼️  boa 🖼️🖼️🖼️  ok 🖼️🖼️  ruim 🖼️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 08/10, 15h30

A Dama de Elche →
B Bada Shanren →
C Nainsukh de Guler →
D A Carreira do Libertino →
 
Recomendação de Newsletter
Brasil Documentado

Brasil Documentado

Um acontecimento datado da história do Brasil, com lugar, contexto e desfecho, em cinco minutos. No seu email todo dia às 20:20.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

liga do tema · ouro em 7 dias

1Leitor #2592 · Arte+111
2Leitor #1473 · Origem+110
3Leitor #1846 · Origem+110

Ver os 30 e a sua posição →

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 
Camiseta da casa

Qual dessas camisetas você usaria?

Queremos criar uma comunidade forte e unida. Logo, escolha a arte e o tamanho da camiseta e entre na lista de espera. Se leitores suficientes pedirem, nós faremos essas camisetas.

Camiseta com a arte Dr. Gachet
Dr. Gachet
Camiseta com a arte Os corvos
Os corvos
Camiseta com a arte A pérola
A pérola

Escolher a minha arte →

 

Olhe com calma. Ars longa, vita brevis.

ARTE DO DIA

Olhe com calma

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter
📚 Artigos