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Óleo sobre tela, um metro e trinta e três de altura por um metro e sessenta e nove de largura, em formato horizontal.
São sete figuras, cortadas na altura da cintura e empurradas contra a frente do quadro. Não há paisagem, chão, árvore nem céu: o fundo é preto, e a noite ocupa tudo que sobra entre os corpos.
Na ponta esquerda, um discípulo foge com a boca aberta e os dois braços levantados. É João, e metade do corpo dele já está saindo pela borda da tela.
O manto vermelho dele não acompanha a fuga. O tecido sobe, abre no alto da composição e passa por cima das cabeças de Cristo e de Judas, como um toldo que fecha a cena por dentro.
Ao lado, Cristo aparece de cabeça baixa e olhos voltados para o chão. As mãos estão juntas na altura da cintura, com os dedos entrelaçados e presos um no outro.
O rosto é o ponto mais claro daquela metade do quadro: pele pálida, testa lisa, nenhuma marca de esforço.
Colado nele, Judas acabou de dar o beijo. A cabeça continua a poucos centímetros do rosto de Cristo, e uma das mãos agarra o ombro dele por baixo do manto.
O rosto de Judas é o contrário: pele escurecida, rugas fundas, sobrancelha franzida e queixo empurrado para a frente.
Atrás dos dois entra o primeiro homem armado. O braço dele, coberto por placa de aço polida, atravessa o meio da tela na horizontal e avança na direção de Cristo.
Essa placa é a superfície mais clara do quadro depois dos rostos. A curva do ombro e do antebraço devolve a luz em manchas alongadas, e é o único lugar da cena onde a chama da lanterna parece voltar.
Uma segunda cabeça de soldado aparece no escuro, tomada pelo capacete, e do terceiro vê-se só o contorno do elmo.
Na borda direita, um homem de barba levanta uma lanterna com a mão erguida e estica o pescoço para enxergar por cima dos capacetes.
A lanterna acesa não ilumina a cena. A claridade que abre os rostos entra de fora do quadro, pelo alto da esquerda.
O homem da lanterna é o próprio pintor. Caravaggio se colocou ali, aos trinta e um anos, na posição de quem chegou junto com a escolta e olha por cima do ombro dos outros.
As mãos organizam a metade de baixo. As de Cristo estão fechadas em si mesmas, a de Judas segura, a do soldado avança dentro da manopla. Três gestos na mesma faixa horizontal.
A paleta é curta: preto de fundo, vermelho de manto, ocre de pele e o cinza azulado do aço.
Não há sangue, arma erguida nem correria. A ação inteira cabe num abraço e num braço estendido, e a tela não traz assinatura.
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Nunca trouxe suas figuras para a luz do dia: colocou-as no ar escuro de um quarto fechado, com uma luz alta descendo sobre a parte principal do corpo e o resto deixado na sombra.
Giovan Pietro Bellori, Vidas dos Pintores, Escultores e Arquitetos Modernos, livro de biografias, 1672
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