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O folheto de 1880 se chamava Breves apuntes sobre algunos objetos prehistóricos de la provincia de Santander (Breves notas sobre alguns objetos pré-históricos da província de Santander). Trazia desenhos do teto e a tese de que as pinturas tinham a idade dos ossos e das ferramentas achados no chão.
O primeiro a apoiar Sautuola foi Juan Vilanova y Piera, geólogo e professor da Universidade de Madri. Ele visitou a gruta, viu as pinturas e passou a defendê-las em conferências na Espanha e fora dela.
O congresso de Lisboa
Em 1880, o Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas reuniu em Lisboa os nomes mais fortes da área. Vilanova levou o caso de Altamira. A plateia não aceitou, e nenhum dos congressistas foi à Cantábria conferir.
O líder dos céticos era o francês Émile Cartailhac, editor de revistas de pré-história e uma das vozes mais ouvidas do assunto. Para ele, homens da Idade da Pedra não tinham técnica para pintar animais daquele tamanho, com sombra e volume.
Em 1881, o engenheiro francês Édouard Harlé visitou a gruta e escreveu um relatório. Concluiu que as pinturas eram recentes, feitas entre a primeira visita de Sautuola, em 1875, e a descoberta de 1879.
O pintor da casa
A suspeita ganhou um rosto. Paul Ratier, pintor francês que se hospedava na casa da família e fizera cópias do teto para o folheto, foi apontado como o autor dos bisões.
A acusação dizia que Sautuola contratara Ratier para inventar uma descoberta e ganhar fama entre os sábios. Nunca apareceu prova disso, mas a dúvida bastou para afastar o advogado de Santander dos congressos.
Sautuola morreu em 1888, aos 57 anos, sem que a ciência aceitasse a idade das figuras. Vilanova seguiu a defesa sozinho e morreu em 1893, também sem ver o reconhecimento.
O mea culpa
A mudança veio da França. Em 1895 apareceram gravuras na gruta de La Mouthe e, em 1901, pinturas e gravuras em Combarelles e Font-de-Gaume, na Dordonha. Algumas estavam cobertas por crostas de calcita (o mineral que pinga das paredes e endurece), o que provava que tinham sido feitas muito antes de qualquer visitante moderno.
Cartailhac entendeu o erro. Em 1902, publicou na revista L'Anthropologie o artigo “Les cavernes ornées de dessins. La grotte d'Altamira, Espagne. Mea culpa d'un sceptique” (As cavernas decoradas com desenhos. A gruta de Altamira, Espanha. Minha culpa de um cético).
No mesmo ano, foi a Altamira com o jovem padre Henri Breuil, que passou semanas copiando o teto deitado no chão. Lá, Cartailhac conheceu María, já adulta, e pediu desculpas à família pelo pai que não estava mais vivo para ouvir.
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