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O artesão deixou o nome seis vezes na peça. A assinatura principal está na borda, acima de uma figura, em letras árabes de prata: "Obra do mestre Muhammad ibn al-Zayn, que seja perdoado".
As outras cinco aparecem escondidas em objetos que as figuras seguram, como se o mestre tivesse costurado o próprio nome nos tecidos e nas peças da procissão.
Um nome repetido
Assinar uma vez era comum nos metais mamelucos. Seis vezes não era. A repetição sugere um artesão de prestígio, que sabia o valor da obra e queria ser lembrado junto com ela.
Uma segunda peça do Louvre, uma bacia menor, também traz o nome de Muhammad ibn al-Zayn. Fora as duas assinaturas, nada se sabe da vida dele: nem a data em que nasceu, nem a oficina, nem a cidade exata.
A data pelo estilo
A bacia não traz data nem o nome de um sultão. Por isso, os estudiosos a datam pelas roupas, pelas armas e pelo modo de incrustar a prata, e as estimativas ficam entre 1320 e 1340, no tempo do sultão al-Nasir Muhammad.
O estudo que fixou essa leitura foi do historiador David Storm Rice, publicado em Paris em 1951 com o título Le Baptistère de Saint Louis. Rice leu as inscrições, contou as assinaturas e descreveu figura por figura.
O livro de Rice ainda é a base de quem estuda a peça. Ele também foi o primeiro a propor que alguns dos homens da procissão fossem retratos de cargos da corte, como o porta-arco, o mestre dos falcões e o copeiro do sultão.
Do Cairo a Vincennes
O caminho até a França continua sem documento. Os metais mamelucos chegavam à Europa por Veneza e Gênova, cidades que compravam no Cairo e em Alexandria tecidos, especiarias e peças de latão para revender.
A bacia pode ter vindo como presente diplomático, como compra de mercador ou como peça de saque. Nenhuma das três versões tem papel que a prove.
O rei que não voltou
Luís IX desembarcou no Egito em 1249, na Sétima Cruzada, e foi capturado pelos soldados do sultão no ano seguinte, em Mansura. A França pagou um resgate enorme para tê-lo de volta.
Vinte anos depois, ele partiu de novo, desta vez para Túnis, e lá adoeceu no acampamento em 1270, durante uma epidemia que atingiu o exército. A Igreja o declarou santo em 1297.
O nome dele só foi ligado à bacia séculos mais tarde, nos inventários reais. A associação parece ter nascido de uma suposição simples: um objeto oriental tão rico no tesouro da coroa só podia ter vindo das cruzadas do rei santo.
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